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Institucional

Institucional (60)

Inter-Regional 2016

Fev 26, 2016 Written by
Inter-Regional 2016

Com o objetivo de divulgar a Doutrina Espírita ao público em geral e oportunizar aprofundamento doutrinário a trabalhadores espíritas, a Federação Espírita Catarinense (FEC) promove nos dias 1º e 02 de abril o Encontro Inter-regional Sudeste 2016.
Duas cidades sediarão eventos: Criciúma e Florianópolis.
O tema central do evento nesta edição é "Os Trabalhadores da Última Hora", em alusão à parábola de Jesus narrada no evangelho de Mateus.

CRICIÚMA
O conferencista internacionalmente reconhecido Divaldo Franco fará uma conferência pública em Criciúma.
Para a abertura teremos a presença do Coral Valdenir Zanette.
O ingresso é 1 Kg de alimento não perecível que será doado a Instituição Espirita Casa da Fraternidade.
NÃO É NECESSÁRIA A INSCRIÇÃO.

Criciúma site A
FLORIANÓPOLIS
Além do médium baiano, os oradores André Trigueiro e Jacobson Santana serão painelistas do Encontro de Trabalhadores, que acontece ao longo do dia 02, no Centrosul.
AS VAGAS SÃO LIMITADAS.
INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 30 DE MARÇO.
NO LOCAL A RECEPÇÃO E O CREDENCIAMENTO COMEÇARÃO ÀS 8 HORAS

Floripa site


Encerradas
Informações importantes:
A partir das 8 horas da manhã o hall estará aberto para a entrada dos participantes.
Para evitar filas e atrasos, chegue com antecedência e garanta seu lugar.
Lembre-se de levar no dia do evento o boleto impresso com o comprovante de pagamento.
Esse documento é imprescindível para ter acesso ao local.
Ele será solicitado na entrada para o credenciamento. 
Caso você tenha alguma dificuldade durante a inscrição, ligue para (48) 3348-0808.

O Centrosul NÃO PERMITE a entrada de comida e bebida para consumo, inclusive água. 
Todos os produtos consumidos dentro das instalações do CENTROSUL somente poderão ser fornecidos pelas empresas que ocupam os espaços da lanchonete e restaurante.
A FEC, no entanto, irá disponibilizar bombonas de água em espaços específicos para consumo gratuito dos participantes.
O Centrosul terá dois espaços para alimentação dos participantes:
Restaurante com almoço executivo (R$ 40,00 por pessoa com bebida e sobremesa)
Lanchonete com itens e preços variados.
No dia do evento informaremos demais locais para almoço próximo ao Centrosul.

O estacionamento se encontra sob a administração direta do Centrosul e funciona de duas formas:
R$ 15,00 por automóvel durante todo o dia ou R$ 20,00 com saída no intervalo do almoço e retorno à tarde.

Hospedagem:
Para os trabalhadores que vêm de outras cidades, hotéis próximos ao local do evento.
INTERCITY FLORIANÓPOLIS
Av. Paulo Fontes, 1210 – Bairro Centro – Florianópolis/SC – 88.010-230 
Telefone (48) 3027-2200
http://www.intercityhoteis.com.br/hoteis/florianopolis/hotel-intercity-florianopolis/
R$199,00 com café (quarto 2 pessoas)
HOTEL IBIS FLORIANOPOLIS

Av. Rio Branco esquina com a Rua Duarte Schutel – Centro - Florianópolis/SC – 88.015-200
Tel. (48) 3216-0000
http://www.accorhotels.com/pt/hotel-5224-ibis-florianopolis/index.shtml
R$179,00 sem café (quarto 2 pessoas)

FAROL DA ILHA HOTEL
Rua Bento Gonçalves, 163 - Centro - Florianópolis – SC - 88.010-080
fone: (48)3203-2760 | reservas: (48)3203-2769
reservas@hotelfaial.com.br,faroldailha@hotelfaial.com.br
http://www.hotelfaroldailha.com.br
R$199,00 com café (quarto 2 pessoas)

CASTELMAR HOTEL
Rua Felipe Schmidt, 1260 – Centro - Florianópolis - SC - CEP 88.010-002
Fones: (48) 3952-3200
Reservas: (48)3952-3218
http://www.castelmarhotel.com.br
R$223,00 (quarto 2 pessoas)

SLAVIERO – BAÍA NORTE
Av. Beira Mar Norte, 220 - Centro - Florianópolis - SC – 88.015-600
(48) 3229-3144
http://www.slavierohoteis.com.br/en/hotel-em-florianopolis/slaviero-baia-norte-florianopolis/acomodacoes/
R$250,00 (quarto 2 pessoas)

FAIAL PRIME
Rua Felipe Schmidt, 603 - Centro - Florianópolis - SC – 88.010-001
Fone: (48) 3203-2766
reservas@faialprime.com.br, 0800480099
http://www.faialprime.com.br/
R$275,00 (quarto 2 pessoas)

EM SÃO JOSÉ (a 3km do CENTROSUL)

HOTEL KENNEDY
Endereço: Av Presidente Kennedy ,300
SINGLE – R$129,00 a diária
DUPLO (Cama casal ou 2 solteiro) – R$ 149,00 a diária
TRIPLO – (1 Cama Casal e 1 Solteiro ou 3 solteiro) – R$ 169,00 a diária
(Cortesia Café da Manhã, Wi-Fi e Estacionamento)

KENNEDY EXECUTIVE HOTEL
Endereço: Rua das Camélias, n. 25, esquina com a Rua Maria Bernardina Vaz Borges – Kobrasol - São José -
SC, 88102-480
Telefone:(48) 3288-5300
SINGLE – R$167,00 +2 % ISS
DUPLO (Cama casal ou 2 solteiro) – R$ 199,90 + 2% ISS
TRIPLO – (1 Cama Casal e 1 Solteiro ou 3 solteiro) – R$ 234,00 + 2% ISS
(Cortesia Café da Manhã, Wi-Fi e Estacionamento rotativo, Sauna, academia.)

Loja Virtual

Ago 06, 2015 Written by
Loja Virtual

A loja virtual é um site que faz da internet o nosso mais novo canal de negociação, objetivando a venda de produtos à clientes online.
Aqui os clientes podem fazer a visualização e a escolha de produtos, lançando-os em um carrinho de compras, onde a confirmação da compra e pagamento são efetuados em um processo seguro e totalmente online.
As novidades são divulgadas através da integração com as redes sociais, permitindo a participação dos clientes através de blogs e mídias de mensagens instantâneas para a divulgação da Doutrina Espírita através deste sistema.
Todos os títulos que fazem parte do nosso acervo foram analisados e tem o aval da Federação Espírita Catarinense e a sua opção na compra destes livrosreverterá diretamente no fortalecimento do Movimento Espírita em nosso estado.

Clique aqui e faça uma visita.

O Livro dos Espíritos: uma obra ímpar

Jorge leite de Oliveira - jojorgeleite@gmail.com - Brasília, DF

O Livro dos Espíritos: uma obra ímpar

Existiu na França, no século XIX, um professor, filósofo, cientista, escritor e poliglota (tradutor, com domínio do alemão, inglês, italiano e espanhol), profundo conhecedor do magnetismo, ciência que estudou por cerca de 35 anos. Sua personalidade era tida como grave e compenetrada, mas também possuía alma boníssima. Era filho de um juiz de direito que, durante a infância e adolescência do futuro professor, o encaminhou para Yverdun, na Suíça, onde ele se submeteu à pedagogia de um dos maiores pedagogos da época, cujos métodos de ensino ainda hoje influenciam escolas do mundo inteiro, Johann Heinrich Pestalozzi. O futuro filósofo aprendeu, com Pestalozzi, desde jovem, a nada aceitar cegamente, a tudo submeter ao crivo da razão. Seu nome civil foi Hippolyte-Léon Denizard Rivail, o qual, dotado de imenso amor à educação, durante muitos anos foi professor de gramática francesa, aritmética, física, química, astronomia e outras disciplinas, além de ter escrito algumas obras de destacado relevo relacionadas à educação, uma delas premiada.

Como demonstração da mente racionalista de Rivail, e também como constatação do seu imenso bom senso, recolhemos, na obra de Torchi[1], a frase escrita pelo futuro codificador do Espiritismo quando, aos 24 anos, seu espírito fundamentalmente positivista, na juventude, escreveu em obra sobre Educação Pública: “Aquele que houver estudado as ciências rirá, então, da credulidade supersticiosa dos ignorantes. Não mais crerá em espectros e fantasmas. Não mais aceitará fogos-fátuos por Espíritos”[2].

Pois foi esse mesmo Rivail que, cerca de três décadas mais tarde, entrando na madureza de seu espírito, foi chamado a observar “estranhos fenômenos”. E, após certo tempo de hesitação e dúvidas, resolveu investigar in loco as chamadas manifestações das mesas girantes, muito em voga na Europa, em especial na França, ali pelos anos cinquenta do século XIX. E viu. E ouviu. E percebeu, naqueles fenômenos, que serviam como entretenimento às almas vulgares e de estudo e reflexão às almas elevadas, que neles poderia estar contida a maior das revelações de uma nova ciência. Adotou, então, o pseudônimo de Allan Kardec.

Assim viria a lume a obra intitulada O Livro dos Espíritos, inicialmente com 501 questões e já na segunda edição com 1019 perguntas, cujas respostas foram obtidas com a ajuda de médiuns, em especial mulheres, algumas delas ainda adolescentes. As informações obtidas por Kardec e sua equipe eram surpreendentes. Anunciavam a proximidade do surgimento breve de uma nova Era para a Humanidade e deram origem ao desdobramento dessa obra em quatro outras, que completaram seu trabalho gigantesco de codificação da Doutrina Espírita: O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. Estava assim completo o denominado Pentateuco kardequiano, embora, em sua modéstia, este jamais tenha se atribuído a autoria do extraordinário conteúdo dessa obra. Considerava-se um mero compilador dos ensinos dos Espíritos.

Mas Allan Kardec viria a ser reconhecido posteriormente como o Codificador da Doutrina Espírita, pois seu trabalho foi muito além de simplesmente organizar e dispor as questões que deram origem a todo o edifício do Espiritismo. Comparava as respostas, rejeitava o que não estava de acordo com o “consenso universal”, por orientação das entidades superiores que o inspiravam e sob a direção suprema do Espírito de Verdade. Refletia sobre as respostas, analisava-as, elaborava comentários de grande sabedoria e deduzia as consequências morais e a renovação para a Humanidade advindas do conhecimento e prática dessa Revelação.

O Livro dos Espíritos, base de todas as demais obras da Codificação, foi desmembrado por Allan Kardec, sempre sob a supervisão e orientação do Espírito de Verdade, em quatro livros: o primeiro, com quatro capítulos, trata sobre “As Causas Primeiras”; o segundo, com 11 capítulos, aborda o “Mundo Espiritual ou dos Espíritos”; o terceiro, em doze capítulos, expõe-nos “As Leis Morais”; e o quarto, as “Esperanças e Consolações” em dois capítulos.

Na introdução de O Livro dos Espíritos, somos esclarecidos sobre a ciência espírita, que se baseia nas relações do mundo material com o dos Espíritos, os seres inteligentes do mundo espiritual. Com base na moral de Jesus, a obra aborda os seguintes capítulos: Existência de Deus; Imortalidade da Alma; Reencarnação; Pluralidade dos Mundos Habitados e Comunicabilidade dos Espíritos.

Prolegômenos é o nome do capítulo seguinte. Nele, lemos o anúncio dos Espíritos de que “são chegados os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal”. Os Espíritos superiores são os ministros de Deus e os agentes de sua vontade. Sua missão é instruir e esclarecer os homens, abrindo-se “uma nova era para a regeneração da Humanidade”. Com humildade, Kardec sempre se exime da autoria da obra, a qual atribui aos Espíritos superiores que lhe transmitem seus ensinamentos elevados.

A primeira pergunta do primeiro livro é: O que é Deus. Como resposta, esclarecem-nos os Mensageiros do Cristo que “Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”. Em seguida, somos informados sobre os atributos da Divindade: Eterno, Imutável, Imaterial, Único, Onipotente, Soberanamente Justo e Bom. Os “elementos gerais do Universo” são Deus, o Espírito e a Matéria, que simbolizam a “trindade universal”. O princípio vital é a causa da animalização da matéria, e o perispírito é o invólucro semimaterial de que se reveste o Espírito, retirado dos elementos naturais do mundo da sua encarnação. Todas essas informações, e outras mais detalhadas, sobre as “causas primeiras”, com 75 questões respondidas, estão contidas no primeiro livro de O Livro dos Espíritos. Essas questões darão origem, anos mais tarde, à última obra do chamado “Pentateuco kardequiano”: A Gênese.

No segundo livro, estão impressas as informações sobre o Mundo Espiritual ou dos Espíritos. Essa parte vai da questão 76 a 613. Nela, encontramos informações sobre os três elementos do ser humano: alma, perispírito e corpo. A alma é, pois, “um Espírito encarnado”. O Espírito jamais fica inativo; mesmo durante o sono, nossa alma está em atividade. Temos, nesse livro, esclarecimentos sobre a “Escala Espírita”, com a divisão por ordens básicas, conforme o grau de perfeição alcançado por cada Espírito: a dos Espíritos puros, a dos Espíritos bons e a dos Espíritos imperfeitos e sobre a reencarnação. Daí surgirá O Livro dos Médiuns.

O terceiro livro que compõe a obra O Livro dos Espíritos trata sobre as “Leis Morais”. Possui doze capítulos, que originam O Evangelho segundo o Espiritismo, que nos informa sobre a lei de Deus estar escrita em nossa consciência e de que Jesus é o tipo mais perfeito que Deus já nos ofereceu para nos guiar e servir de modelo. Também temos aqui a informação de que o meio prático mais eficaz de nos melhorar nesta vida e de resistirmos ao arrastamento do mal é o do autoconhecimento e de que a moral, regra de bem proceder, funda-se na observância da lei de Deus.

Por fim, deparamo-nos, no livro quarto, com as “Esperanças e Consolações”, em apenas dois capítulos, que nos fazem refletir sobre temas como o de que somos obreiros de nossa própria infelicidade, mas também seremos felizes, na Terra, quando, com nossa melhoria e trabalho, colaborarmos para a transformação da Humanidade. Cabe-nos, para isso, combater a grande praga dos nossos tempos: o materialismo, fonte de imensas desgraças, pela degradação moral que proporciona a quem nele crê. Esse livro dá origem a uma síntese da obra nº 4, intitulada O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo.

A grandeza de Allan Kardec está refletida nestas suas palavras, em 12 de junho de 1856, ao receber as monumentais respostas que deram origem à não menos grandiosa obra que é O Livro dos Espíritos e a incumbência, do Espírito de Verdade, em tornar-se o missionário da Codificação Espírita, que anuncia uma nova era para a Humanidade:

Senhor! Já que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade! A minha vida está nas tuas mãos; dispõe do teu servo. Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; a minha boa vontade não desfalecerá, mas talvez as forças me traiam. Supre a minha deficiência; dá-me as forças físicas e morais que me forem necessárias. Ampara-me nos momentos difíceis e, com o teu auxílio e dos teus celestes mensageiros, tudo envidarei para corresponder aos teus desígnios.[3]

Cerca de dez meses depois, a 18 de abril de 1857, era publicada a primeira edição de O Livro dos Espíritos e um Novo Tempo inaugurava-se para a Humanidade! Cabe a nós, espíritas, estudar, refletir, comparar com as demais obras da Codificação de Kardec e com os acontecimentos atuais o conteúdo deste livro sempre atual e de incomparável grandeza.

Cabe-nos trabalhar o sentimento e as ações na prática incessante do Bem e na divulgação desta obra imortal, proveniente das mais altas regiões espirituais, de onde dirige os destinos da Terra o Cristo de Deus, que no-la enviou, pelas mãos de seus emissários encarnados e desencarnados. Compete-nos, como espíritas, deixar as dissensões de lado e nos unir, como um feixe de varas conduzido por Jesus, a fim de colaborarmos, humildemente, com sua obra de transformação da Terra num mundo destinado aos justos e onde a miséria, material e moral, não mais prolifere.

Amemo-nos e instruamo-nos, começando pela leitura e estudo de O Livro dos Espíritos!


[1] TORCHI, Christiano. Espiritismo passo a passo com Kardec. 2. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2008, p. 61.

[2] WANTUIL, Zeus; THIESEN, Francisco. Allan Kardec. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004, v. I, parte segunda, cap. I, item 4. Apud. TORCHI, op. cit. na nota n. 1 acima.

[3] KARDEC, Allan. Obras póstumas. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2009, p. 369.

A Ética Espírita

Dez 10, 2013 Written by
A Ética Espírita

Altivo Ferreira 

Escritor e médico pediatra

 

1. Ética e Moral

A Ética (do grego ethika) é a parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana (Dicionário Michaelis)1. Relaciona-se com os costumes, sendo chamada ciência da conduta e ciência da moral, cujo objetivo é o julgamento e a distinção entre o bem e o mal. A Ética teve origem na Grécia, com Aristóteles (384-322 a.C.), o qual utilizou esse nome pela primeira vez em seu livro Ética a Micômaco.

Afirma Marilena Chauí2: "Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido e à conduta correta e incorreta (...). No entanto, a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral, isto é, uma reflexão que discuta, problemize e interprete o significado dos valores morais."

A distinção entre ética e moral é, todavia, tênue. Já na Roma antiga, Cícero (106-43 a.C.) dizia que eles denominavam moral o que os gregos chamavam de ética.

Com Jesus Cristo, os conceitos éticos assumiram nova dimensão, como se depreende das palavras do Espírito Carlos Torres Pastorino, no recente livro Impermanëncia e Imortalidade3, cap. "Ética e razão"':

"Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes dEle, os princípios da ética moral eram graves, especialmente em Israel, atados às leis severas, estabelecidas por homens cruéis, mais interessados em punir, em vingar-se do que em educar e corrigir. Desde a Pena de Talião, que Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator a reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas conseqüências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em bens os males que praticou."

Surge, assim, a ética cristã, fundamentada nos ensinos do Mestre Nazareno. Pedro e seus companheiros vivenciam o amor e praticam a caridade na Casa do Caminho. Paulo de Tarso dá-lhe consistência, traçando diretrizes de ordem comportamental aos gentios em suas memoráveis Epístolas, das quais destacamos estes preceitos: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos, 12:21); "Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam" (I Coríntios, 10:23); e reforça com seu exemplo: "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas, 2:19-20).

Com o correr do tempo e o predomínio da Igreja, depois, com a Reforma Protestante, a ética cristã foi sendo adaptada às concepções da Teologia, na medida em que o comportamento humano era influenciado pelo temor a Deus, pela crença no pecado, nas penas eternas, em que a salvação da alma era condicionada à submissão aos dogmas e sacramentos, ou à fé em Cristo.

Iniciada no século XVII a Era da Razão, a partir de René Descartes (1596-1650), passando pelos filósofos do Iluminismo, até Jean-Jacques Rousseau (1712-1799) e Emmanuel Kant (1724-1804), no século XVIII, as reflexões éticas prepararam o pensamento humano para o advento do Consolador prometido por Jesus, destinado a reconduzir a ética cristã à sua pureza original.

2. Ética e Doutrina Espírita

Em nossa pesquisa, não encontramos menção à Ética nas obras da Codificação Kardequiana e na Revista Espírita. Todas as referências se reportam à Moral, cujo conceito espírita se confunde com o de Ética, como podemos conferir nas respostas dos Espíritos Reveladores às questões 629 e 630 de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB), formuladas por Kardec:

629. Que definição se pode dar da moral

A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus.O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.

630. Como se pode distinguir o bem do mal?

O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é pro ceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-Ia.

Na obra Filosofia Espírita da Educação (vol. 1)4 Ney Lobo acentua que, como "existe a Filosofia Espírita, deve, forçosamente, corresponder-lhe determinada ética, a Ética Espírita" (destaque do autor).

Os princípios da Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto - Filosofia, Ciência e Religião - fundamentam-se na moral do Cristo, que é a mais elevada expressão da Ética.

A concepção de Deus - justo e misericordioso para com todos os seus filhos -, como a "inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas"; a certeza da vida futura e o conhecimento do mundo espiritual, confirmados, através da mediunidade, pelas comunicações dos Espíritos; a origem, evolução e destinação do Espírito imortal; a pluralidade das existências e dos mundos habitados; a compreensão da justiça e da misericórdia divinas pelo funcionamento da lei de causa e efeito; o princípio de responsabilidade decorrente do exercício do livre-arbítrio; a concepção espírita das penas e gozos terrestres e futuros - repercutem na consciência moral do homem, levando-o a formular e praticar uma nova filosofia de vida, uma nova conduta ética.

Nas Leis Morais, da Parte 3a de O Livro dos Espíritos, a Ética Espírita apresenta-se em sua plenitude. No capítulo 1, Kardec reúne o ensino dos Espíritos sobre a lei divina ou natural, examinando os caracteres e o conhecimento dessas leis; coloca as questões acerca do bem e do mal e apresenta (q. 648) a divisão da lei natural em dez partes (cap. II a XI), que compreendem as leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade. Afirmam os Espíritos que "essa última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras."

Ainda sobre a última lei moral, Kardec enfatiza, na Conclusão (IV) de O Livro dos Espíritos. "O progresso da Humanidade tem seu principio na aplicação da lei de justiça, de amor e de caridade, lei que se funda na certeza do futuro."

Além da questão acima (648), três outras merecem destaque, por seu significado ético:

621. Onde está escrita a lei de Deus? Na consciência.

625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? Jesus.

647. A Lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo, ensinado por Jesus?

Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens, uns para com os outros. (...).

O Codificador termina o estudo das leis morais com a abordagem de um aspecto fundamental da Ética em geral e da Ética Espírita em particular - a Perfeição Moral. As primeiras questões apresentadas tratam das virtudes e dos vícios. Indaga ele (q. 893) sobre qual a mais meritória das virtudes, e recebe por resposta: "Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. (...) A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal em favor do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade." (Grifamos.)

No exame das paixões, a resposta dos Espíritos à pergunta 907 esclarece que a paixão, em sua origem, não é má; "a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal".

O egoísmo é o vício mais radical (q. 913), dele derivando todo o mal. "Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. (...) Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades."

Fénelon responde de forma admirável à indagação - Qual o meio de destruir-se o egoísmo? (q. 917). Eis alguns trechos do seu pensamento: "De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de erradicar-se (...). O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas." (...).

No longo e elucidativo comentário sobre essa questão, Kardec afirma ser necessário combater o egoísmo na sua raiz "pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral".

Sobre a educação à luz do Espiritismo, Ney Lobo5 enfatiza: "A Ética Espírita é a argamassa que cimenta a Filosofia com a Educação Espírita, arti­culando-as funcionalmente num enlace perfeito e doutrinário: a Filosofia for­nece a Ética para a Educação realizá-la."

3. Comportamento ético-espírita

A Ética Espírita, aliando a fé à razão - e pelo seu caráter educativo -, leva o homem, à mudança positiva de comportamento. Daí a exortação do Codificador6 "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. "

Retomando o citado capítulo sobre a Perfeição Moral, encontramos o modelo de comportamento ético-espírita na questão 918, em que Kardec, no seu comentário, apresenta os caracteres do homem de bem e declara: "Verdadeiramente, homem de bem, é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza." Ele desdobra esse tema no capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, descreve a conduta do homem de bem, e conclui - referindo-se aos bons espíritas - que o Espiritismo leva aos resultados por ele obtidos que "caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro ". (Grifamos.)

A Ética Espírita foi enriquecida, no século XX, com o apostolado mediúnico de Francisco Cândido Xavier, através do qual a Espiritualidade Superior canalizou para o homem contemporâneo valiosas diretrizes de ordem comportamental, sob a visão evangélico-­doutrinária da Terceira Revelação. Destacamos desse tesouro as mensagens de Emmanuel que compõem a série (editada pela FEB) Caminho, verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz e Fonte Viva, assim como as de André Luiz, cujo livro Conduta Espírita é um repositório de orientações a quantos queiram ter um comportamento ético­-cristão. Esta contribuição do Mundo Espiritual é acrescida pelas obras de Joanna de Ângelis sobre o homem integral e a psicologia profunda, psicografadas por Divaldo Pereira Franco.

O comportamento ético-espírita não pode limitar-se aos momentos em que estamos na Casa Espírita ou no atendimento às carências do próximo. Ele deve constituir o nosso modo de ser e de agir em todas as circunstâncias da vida.

Ao espírita compete manter uma conduta ética no cotidiano, em todas as relações que estabelece com o seu semelhante e a sociedade, ainda que em detrimento de seu interesse pessoal. Cabe-lhe viver e exemplificar a conduta ética no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações apresentadas pelo Espírito André Luiz7, consultando sempre a sua consciência, onde está escrita a lei de Deus.

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